Antes da madrugada: os vatikin
Ainda é noite quando as primeiras silhuetas atravessam a esplanada. São os fiéis dos vatikin, a oração ajustada ao nascer do sol: a Amidá, a oração central, deve começar no instante preciso em que o primeiro raio toca Jerusalém. No frio da madrugada, diante das pedras ainda escuras, é talvez a hora mais intensa do Muro — a que os habituais escolhem, e aquela em que nossos estudantes gostam de colocar as orações confiadas na véspera.
A manhã: os bar mitzvá de segunda e quinta-feira
Nas manhãs de segunda e quinta-feira, dias de leitura pública da Torá, o Muro muda de rosto. Chegam famílias inteiras — às vezes do outro lado do mundo — para o bar mitzvá de um filho. Cantos, gritos de alegria, balas atiradas, avós em lágrimas do outro lado da separação: o Kotel se torna o maior salão de festas a céu aberto do mundo judaico. Entre dois cortejos, os habituais seguem sua oração como se nada fosse; também é isso o Muro — a alegria de uns sustenta a súplica de outros.
Meio-dia: o mundo inteiro desfila
Nas horas de calor, a esplanada pertence aos visitantes. Grupos de peregrinos de todos os continentes, soldados em formação que vão prestar juramento, turistas que se aproximam das pedras com um constrangimento emocionado. Muitos colocam um bilhete — olhe para as mãos deles: quase todas seguram um pequeno papel dobrado. O que acontece com esses bilhetes, nós contamos aqui ; o que eles contêm, ninguém jamais saberá.
A tarde: os minyanim sem interrupção
No Kotel nunca se espera muito para orar em comunidade. Os minyanim — esses quóruns de dez homens exigidos para a oração pública e o Kadish — formam-se e desfazem-se sem interrupção, em todas as tradições: asquenaze, sefardita, hassídica, iemenita. Alguém procura um décimo homem? Levanta a mão, e o Muro o fornece. Em nenhum outro lugar a oração coletiva está tão imediatamente disponível.
A noite: o Muro dos insones e dos estudantes
Passada a meia-noite, a esplanada se esvazia sem nunca se esvaziar por completo. Ficam os estudantes das yeshivot vizinhas, um livro de Tehilim na mão, as almas aflitas que vêm buscar um encontro sem testemunhas, e aqueles que recitam o tikun chatzot, a oração da meia-noite sobre a destruição do Templo. Sob os holofotes, as pedras parecem respirar. É a hora em que o Muro mais se parece com o que é: uma presença que vela.
E a sua oração, em tudo isso?
A qualquer uma dessas horas, há entre as pedras bilhetes vindos de toda parte — inclusive, talvez, o seu. Nossos estudantes de Torá vivem esse dia do Muro por dentro; depositam ali as orações que você nos confia, lacradas e nunca lidas, com uma prova em foto ou vídeo com data e hora que a comprova. Confie a sua a partir de 18 € — ela se juntará à conversa mais antiga do mundo.