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Relatos do Kotel

O que acontece com o seu bilhete colocado no Muro das Lamentações?

Ninguém o lê, ninguém o joga fora: a viagem de um bilhete do Kotel é regida por usos precisos, às vezes surpreendentes. Eis o que realmente acontece com a sua oração.

A cada ano, milhões de pequenos papéis dobrados se alojam nas fendas do Muro das Lamentações. Pedidos de cura, orações por um casamento, agradecimentos sussurrados, nomes de filhos por nascer… Se você já se perguntou o que acontece com esse bilhete depois de colocado entre as pedras, aqui estão as respostas — e elas dizem muito do respeito que cerca esse gesto.

Ninguém jamais lê o seu bilhete

É a regra absoluta do Kotel: um bilhete depositado no Muro só diz respeito a quem o escreveu. A tradição considera esses papéis como palavras dirigidas diretamente ao Céu — lê-los seria uma violação da intimidade mais profunda que existe. Quando o bilhete do candidato Barack Obama foi retirado do Muro e publicado por um jornal em 2008, o rabino do Muro condenou publicamente esse ato: não se lê a correspondência dos outros, muito menos essa. Contamos essa história em detalhe em nosso artigo sobre as personalidades que foram ao Kotel.

Duas vezes por ano, os bilhetes vão para a gueniza

As fendas do Muro não são extensíveis — e ainda assim há sempre lugar para mais um bilhete. O segredo: duas vezes por ano, antes de Pessach e antes de Rosh Hashaná, os bilhetes são delicadamente retirados dos interstícios sob a supervisão do rabino do Muro. As equipes usam varetas de madeira — nunca de metal, por respeito à pedra e ao que ela carrega — e não desdobram nenhum papel.

Os bilhetes não são destruídos: como todo escrito que possa conter uma oração ou um nome divino, são colocados em gueniza, ou seja, enterrados com as honras devidas aos textos sagrados, no Monte das Oliveiras. O seu bilhete nunca vai, portanto, para o lixo: repousa em terra de Jerusalém, diante do Muro.

Em que idioma escrever? O que colocar em um bilhete

Todas as línguas sobem. Hebraico, francês, inglês, espanhol, russo, amárico — as fendas do Kotel são provavelmente o lugar mais poliglota do mundo. A tradição não impõe nenhum formato, mas alguns usos se firmaram:

Muitas vezes escreve-se o nome hebraico seguido do da mãe (Fulano ben/bat Fulana), a forma usada nas orações por uma pessoa. Formula-se um pedido preciso em vez de um vago «que tudo corra bem» — a cura de alguém querido, o zivug (alma gêmea), a parnasá (sustento), a gratidão. E pode-se escrever por outra pessoa: orar por um terceiro é considerado até uma das formas mais elevadas da oração.

E se Jerusalém fica longe?

Desde sempre, quem não pode vir confia o seu bilhete a um emissário — alguém próximo que sobe a Jerusalém, um viajante, um estudante. É uma tradição antiga: o mensageiro, o shaliach, leva a oração de outra pessoa e a deposita em seu nome.

É exatamente o que a BaKotel faz, com as exigências de hoje: você escreve sua oração em nosso formulário seguro, ela é criptografada e depois impressa lacrada — ninguém a lê, nem mesmo o estudante de Torá que a leva — e é depositada entre as pedras do Kotel, com uma foto ou um vídeo com data e hora como prova. O gesto milenar, com a confiança a mais, a partir de 18 €.